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Brasil divulga inflação de abril com alta de incertezas por guerra
12/05/2026
CNN Brasil

João Nakamura

Apesar de desaceleração esperada ante o dado de 0,88% aferido em março, os agentes econômicos ainda acreditam que os preços seguirão pressionados pelo conflito,

Uma nova rodada de dados de inflação do Brasil será divulgada nesta terça-feira (12), com as expectativas ainda marcadas pelas incertezas geradas com a guerra no Oriente Médio.

A mediana do mercado apurada semanalmente pelo boletim Focus do BC (Banco Central) indica que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril deve registrar alta de 0,69%.

Apesar da desaceleração ante o dado de 0,88% aferido em março, os agentes econômicos ainda esperam ver preços pressionados pelo conflito, com impactos secundários ainda mais claros além dos combustíveis.

Outro destaque que deve aparecer na inflação oficial de abril é em relação aos alimentos, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

“Os dois vêm com variações mais elevadas ainda, mas menores do que no mês anterior. Então, contribuindo mais destacadamente para essa diminuição da variação do índice. Combustíveis é o reflexo dos preços globais, com algum nível de repasse aqui interno”, avalia Christian Meduna, economista do Banco BV.

“Os alimentos têm um pouco de repasse de custo de frete, mas alguma questão climática também, pesando em alguns itens no período”, pontua.

O Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval tem perspectivas marginalmente mais pessimistas, avaliando que o IPCA de abril deve ter alta de 0,71%, refletindo as altas nos preços dos alimentos e dos combustíveis em função do conflito no Oriente Médio.

“Os destaques são a alta dos preços da gasolina, medicamentos e dos preços dos alimentos, em especial itens in natura, leite, ovos de galinha, feijão e carne vermelha”, elenca relatório do banco.

“Os preços administrados devem refletir a alta sazonal dos medicamentos e as pressões nos combustíveis, como a gasolina, decorrentes do conflito no Oriente Médio”, pontua.

Os analistas ouvidos pelo CNN Money indicam ainda que os serviços devem apresentar pequena variação de preços nessa leitura em função da deflação dos preços das passagens áreas, que dispararam na sequência do conflito.

Apesar da desaceleração, a taxa de inflação deve seguir em patamar elevado, sustentada pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio, que continuam se propagando pela inflação ao consumidor, ressalta Leonardo Costa, economista do ASA.

E o Daycoval ressalta que “apesar do grupo de serviços em patamar mais baixo, os itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados”.

“Com isso, os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços), ainda que desacelerem, devem permanecer em patamar elevado e constituem desafio para o BC”, conclui.

Sobre os fatores climáticos que devem deteriorar o preço dos alimentos, André Valério, economista sênior do Inter, reforça que a inflação de alimentos deverá ser negativamente afetada pela ocorrência de El Niño no segundo semestre, o que deve pressionar os valores no longo prazo.

“O El Niño também poderá afetar negativamente a inflação de Habitação, encarecendo a energia elétrica. Com essas condições adversas de oferta, esperamos que haja um carrego para a inflação de 2027, quando esperamos que o IPCA encerre com alta acumulada de 3,8%, portanto, fora do centro da meta e acima do que se projetava pré-conflito”, indica Valério.

O Focus também evidencia as expectativas deterioradas para o futuro: pela nona semana consecutiva, o mercado financeiro revisou suas expectativas para a inflação em 2026, atingindo 4,91% na segunda-feira (11).