Notícias

Economia
Prévia do PIB recua, mas primeiro trimestre é positivo
20/05/2026
CNN Brasil

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou recuo em março, mas apresentou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre do ano. O resultado reforça a avaliação de que a economia brasileira ganhou fôlego no início de 2026, ainda que sinais de desaceleração tenham emergido no mês de março.

Durante o Hora H desta segunda-feira (18), a comentarista de Economia Rita Mundim analisou os dados do IBC-Br e destacou que o desempenho mensal de março foi marcado por quedas em setores relevantes.

Segundo ela, houve um recuo de 0,2% no setor agropecuário, queda na indústria e retração de 0,8% no setor de serviços. “Indo de encontro com o relatório divulgado pelo IBGE na semana passada sobre o comportamento de serviços, que também mostrou recuo significativo de 1,2%”, observou Mundim.

Apesar do desempenho negativo em março, o acumulado do primeiro trimestre, compreendendo janeiro, fevereiro e março, mostrou crescimento robusto de 1,3%. Com base nesse resultado, a comentarista observa que o mercado já projeta expansão do PIB brasileiro entre 1% e 1,2% no primeiro trimestre. “Depois desse dado, todo mundo já está projetando o crescimento do PIB brasileiro acima de 1%”, afirmou a economista.

Para Mundim, o desempenho positivo do trimestre está diretamente relacionado às medidas adotadas pelo governo federal. “Dadas as benesses, os pacotes de bondade do governo que foram lançados”, disse ela, citando a isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5.000, o programa Gás do Povo, o estímulo ao crédito e outras iniciativas como fatores que aqueceram a demanda interna.

Contradição entre política fiscal e monetária

A economista destacou uma contradição central no cenário econômico atual: enquanto a taxa de juros restritiva busca conter a inflação, a política fiscal do governo segue em direção oposta, estimulando a demanda. “A taxa de juros restritiva está cumprindo o seu papel, só que poderia ser um cumprimento melhor se não houvesse a contrapartida do governo”, avaliou Mundim.

Ela também resgatou o contexto do início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, como um ponto de inflexão nas expectativas do mercado. Até aquela data, o otimismo prevalecia, e o Boletim Focus chegou a registrar a menor projeção para a Selic, de 12%, com apostas em corte de meio ponto percentual na reunião do Copom de março.

“Dali para cá, sob o ponto de vista de expectativa inflacionária e comportamento de juros, as coisas só pioraram apesar das benesses do governo”, afirmou. Segundo ela, o governo tem respondido ao cenário adverso ampliando os pacotes de estímulo, como o Desenrola 2.0 e o anúncio de crédito para motoristas de aplicativo, aprofundando a contradição entre a política monetária restritiva e a política fiscal expansionista.