Segundo Machado, o que justificou o corte foi a constatação de um enfraquecimento adicional dos setores cíclicos — aqueles mais sensíveis à taxa de juros — e uma moderação da inflação nos núcleos.
Machado também chamou atenção para os riscos relacionados ao conflito no Oriente Médio, que mantém o petróleo acima de 100 dólares, e para a defasagem dos preços dos combustíveis no Brasil.
“Ou isso vai virar inflação ou vai virar déficit, que significa que vira inflação lá na frente”, afirmou. Ela alertou ainda para pressões sazonais esperadas no final do ano, como a entressafra de proteínas e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os preços.
Um elemento de atenção apontado pela economista é o movimento divergente entre o Banco Central brasileiro, que reduziu juros, e outros bancos centrais ao redor do mundo, que seguem elevando suas taxas. Ela citou os Estados Unidos, onde o Federal Reserve sinalizou novas altas, e o Japão, que historicamente foi uma importante fonte de capital para países emergentes por meio de operações de carry trade.
“Esse movimento do Banco Central aqui caindo os juros com os bancos centrais mundiais ele tende a ter uma característica perigosa, principalmente quando a gente olha para a taxa de câmbio no Brasil, que é a redução do diferencial de juros”, alertou Elisa Machado.
Para Machado, o cenário fiscal brasileiro é “a questão” central por trás dos juros elevados no país. Segundo ela, a política monetária tem sido obrigada a compensar uma política fiscal historicamente expansionista.
A economista destacou ainda que os próximos anos serão determinantes para entender a trajetória dos juros, especialmente em função do cenário eleitoral e de eventuais mudanças na condução da política fiscal.