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CNI revisa projeção de crescimento do PIB para 1,6% em 2026
30/11/2026
Times Brasil

  • CNI reduz de 2% para 1,6% a previsão do PIB brasileiro em 2026 diante de perspectivas mais fracas para a indústria e os serviços.
  • Indústria de transformação deve encolher 0,7%, enquanto agropecuária tem previsão elevada para crescimento de 2,5% neste ano.
  • Confederação projeta inflação persistente, Selic a 13,25% no fim de 2026 e dívida pública bruta equivalente a 83,7% do PIB.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A revisão, divulgada nesta quarta-feira (28), consta do Informe Conjuntural do terceiro trimestre e reflete a perda de força da indústria e dos serviços, especialmente nas atividades mais dependentes do consumo interno.

O setor industrial teve sua projeção de expansão cortada de 2% para 1,3%, a maior redução entre os segmentos analisados. A indústria de transformação, mais sensível aos juros e à concorrência de importados, passou de uma expectativa de alta de 0,6% para queda de 0,7%.

Segundo Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, as atividades ligadas ao mercado doméstico sofrem mais com a política monetária restritiva. “Quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, explicou.

Indústria e serviços perdem força

A indústria extrativa deve crescer 9,1%, enquanto a construção tem estimativa de avanço de 1,5%, apoiada por obras de infraestrutura e pelo Minha Casa, Minha Vida. Para serviços, a CNI reduziu a previsão de 1,9% para 1,6%. Já a agropecuária foi a única atividade com revisão positiva, de 1,8% para 2,5%, impulsionada pela segunda safra de milho.

O mercado de trabalho ainda deve sustentar parte da demanda. A entidade projeta aumento de 1,2% da população ocupada, desemprego de 5% ao fim do ano e crescimento de 4,6% da massa real de rendimentos, apesar da desaceleração na criação de vagas formais.

Juros, inflação e contas públicas

No cenário monetário, a CNI espera inflação medida pelo IPCA de 5,15% em 2026 e dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual na Selic, que encerraria o ano em 13,25%. Telles argumenta que, mesmo nesse patamar, os juros reais permaneceriam próximos de 9%, restringindo o crescimento econômico.

Para as contas públicas, a entidade estima déficit primário efetivo de R$ 54,6 bilhões no governo federal, embora exclusões de R$ 67,3 bilhões em despesas permitam cumprimento formal da meta com superávit de R$ 12,6 bilhões. A dívida bruta deve passar de 78,6% para 83,7% do PIB.

Comércio exterior deve registrar superávit maior

No comércio exterior, a projeção é de exportações de US$ 386,7 bilhões (R$ 2,08 trilhões), crescimento de 10,3%, e importações de US$ 309,4 bilhões (R$ 1,66 trilhão), alta de 6,4%. Com isso, o superávit comercial deve alcançar US$ 77,3 bilhões (R$ 416 bilhões), quase 30% acima do resultado de 2025.