Notícias

Educação
Há ‘um oceano’ entre as políticas públicas e o que acontece na escola, diz chefe do Unicef Brasil
fato alcançados, defendeu Mônica Pinto
16/06/2025
Valor Econômico

Por Paula Martini

 

O debate sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), que terá as metas atualizadas em janeiro do ano que vem, precisa considerar condições para que os objetivos sejam de fato alcançados, defendeu a chefe de educação no Unicef Brasil, Mônica Pinto. A especialista participou, nesta sexta (13), do “Festival Led, Luz na Educação”, realizado na Praça Mauá, zona portuária do Rio. O atual PNE entrou em vigência em 2014 e deveria ter sido encerrado dez anos depois, em 2024. Uma lei sancionada em julho do ano passado, no entanto, prorrogou o plano até dezembro deste ano. A expectativa é que as metas sejam atualizadas em janeiro de 2026.

“É muito importante que a população participe desse debate para que a gente de fato tenha meta, mas também tenha condições de atingir a meta e atender todas as crianças”, afirmou ela na mesa “Mitos e fatos da educação: os desafios de ensinar em um mundo plural e tecnológico”.

A gestora de inovação Giselle Santos acrescentou que é importante comunicar políticas públicas como o Plano Nacional de Educação de forma simples, para integrar a comunidade escolar e a sociedade nos debates. “A gente precisa falar de forma mais simples. Repensar como essas políticas públicas são contadas, como as pessoas são convidadas a estarem nessas mesas. Muitas vezes, elas vêm com uma estrada de conceitos que não estão necessariamente explicados”, notou.

A desvalorização do professor e os desafios e oportunidades do uso da tecnologia também foram debatidos no painel. Para Murilo Nogueira, diretor administrativo da Fundação Bradesco, a Inteligência Artificial pode ajudar o trabalho do professor, mas não é capaz de substituir o profissional. “Ferramentas da IA podem ajudar no dia a dia do professor, mas nunca vai ter a desenvoltura e a proximidade que esse professor tem, ou deveria ter, do aluno”, disse.

O país, porém, está “engatinhando” no debate sobre tecnologia na educação porque não estabeleceu prioridades, segundo a gestora de inovação Giselle Santos. “Quando o assunto é tecnologia, a gente está engatinhando em termos de políticas públicas porque não sabe o que quer resolver. Também não se sabe quem são as pessoas que estão participando desse processo”, criticou.

A chefe de educação do Unicef Brasil destacou, porém, que é preciso considerar que 5% das escolas brasileiras não têm energia elétrica e menos de 40% têm internet disponível para fins pedagógicos.

“Há um oceano entre as políticas públicas e o que de fato acontece no chão da escola. A política pública e os recursos são importantes, mas eles precisam chegar lá”, alertou. Ela também defendeu investimento nos professores e na carreira docente, e ressaltou que as políticas públicas precisam considerar as diferentes realidades sociais: “Se a gente não tomar cuidado, as políticas públicas vão continuar chegando sempre para as mesmas crianças e adolescentes do país.”

Leia também

03/10/202403
Administração Municipal