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Finanças Públicas
Aumento de despesas 'está congelado' até governo encontrar 'sustentabilidade dos gastos', diz Haddad
Ministro ainda contou que tratou em reunião com o presidente Lula de novos instrumentos de crédito imobiliário para a classe média com garantia
25/06/2025
Valor Econômico

Por Jéssica Sant’Ana

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Record nesta terça-feira (24) que, neste momento, está “congelado” no governo o debate sobre aumento de gastos, a não ser os imprescindíveis. Ele defendeu que haja “parcimônia” e “cautela”, porque o foco do momento é conter a inflação.

“Aumento de gasto público é quando tem necessidade de fazer, em que se faz necessário. Estamos num momento que vamos congelar o debate sobre aumento de gastos, até encontrar o caminho da sustentabilidade dos gastos. Neste momento, nenhum aumento de gasto é bem-vindo, a não ser os imprescindíveis”, afirmou o ministro na entrevista, que teve trechos antecipados pelo site R7. A entrevista completa vai ao ar às 22h30, na Record News.

Na entrevista, Haddad também disse que está preocupado com o nível atual da taxa Selic, em 15% ao ano, mas colocou a culpa na gestão anterior do Banco Central (BC), comandada por Roberto Campos Neto.

“Estou preocupado, evidentemente. É uma taxa de juros muito restritiva, muito acima da inflação projetada. Está muito restritiva”, frisou. “Essa alta, sendo muito honesto, quem é do ramo sabe, foi contratada na última reunião da qual participou o Roberto Campos em dezembro [de 2024]. É como se tivesse estabelecido uma contratação futura da taxa”, reclamou.

Depois, Haddad ponderou que o BC não pode dar “cavalo de pau em política monetária”, porque vai perder credibilidade. “Tem que ter muita cautela”, continuou.

Crédito imobiliário

Por fim, o ministro contou que tratou em reunião hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de novos instrumentos de crédito imobiliário para a classe média com garantia. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, estiveram presentes.

“É uma ideia muito interessante e está em desenvolvimento neste momento. Vem sendo gestada há muitos meses, ainda tem a reta final de ajustes, com o Banco Central, o Ministério das Cidades, a Caixa Econômica Federal. Estamos dando os últimos retoques”, afirmou Haddad, sem dar detalhes da medida gestada.

“O Brasil tem um crédito imobiliário na casa de 10% do PIB. Tem países como o Chile que é 30%. Na Austrália, é mais do que 100% do PIB. Então, nós temos uma avenida para percorrer”, afirmou.

Segundo Haddad, as medidas a serem anunciadas vão “alavancar uma indústria que é fundamental para o desenvolvimento do país, que é a indústria da construção civil”.

Sobre o decreto que passou a prever incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de risco sacado, Haddad falou que foi uma mudança necessária, porque fechou uma brecha que as empresas usavam para não pagar o tributo. Antes do decreto, o risco sacado não era considerado operação de crédito, por isso não tinha incidência de IOF.

“O IOF sempre existiu sobre operações de crédito. Várias instituições financeiras começaram a driblar o Imposto sobre Operações Financeiras com uma metodologia de dizer que uma coisa que é crédito não é crédito. O governo fechou a porta dessa transgressão”, afirmou.

Haddad ainda defendeu o decreto e a medida provisória que aumentaram a taxação sobre diversos setores da economia para recuperar a arrecadação federal. Ambos vêm sendo muito criticados pelo setor produtivo e por congressistas.

“Se eu estou aumentando a carga tributária de quem paga nada e é rico, eu não estou aumentando carga tributária”, argumentou o ministro, a despeito das declarações que as medidas anunciadas são aumento de impostos.