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Manter aumento do IOF é importante para ‘recuperar o fiscal’, diz secretário do Tesouro
Sobre a decisão do governo de entrar no STF, Rogério Ceron limitou-se a comentar que a matéria será debatida pelos ministros da Corte e uma decisão será tomada, o que é "importante para o país seguir em frente"
02/07/2025
Valor Econômico

Por Jéssica Sant’Ana

 

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, admitiu nesta terça-feira (1º) que as idas e vindas sobre o decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) traz “incerteza para o mercado como um todo”, mas reforçou que a arrecadação prevista com a medida é “importante para continuar recuperando o fiscal”.

“Muitas vezes essas divergências acabam resultando nessas mudanças, isso traz, de fato, alguma fricção, alguma incerteza para o mercado como um todo, mas enfim, nosso intuito aqui é tentar encaminhar o quanto antes e pacificar essa matéria e poder seguir em frente”, afirmou Ceron em entrevista à GloboNews transmitida na noite desta terça-feira.

O governo editou em 22 de maio um decreto aumentando as alíquotas do IOF, mas, diante da repercussão negativa, recuou parcialmente duas vezes. Ainda assim, a última versão do decreto previa arrecadar R$ 12 bilhões a mais, somente no segundo semestre deste ano. Esse decreto foi revogado pelo Congresso, mas o governo acionou, nesta terça, o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar manter o aumento de alíquotas.

Sobre a decisão do governo de entrar no STF, o chefe do Tesouro se limitou a comentar que a matéria será debatida pelos ministros da Corte e que uma decisão será tomada, o que será importante para o país seguir em frente, disse.

Ele reforçou que, “quanto mais estabilidade e previsibilidade”, mais saudável para o ambiente macroeconômico.

Durante a entrevista à Globonews, o secretário também defendeu o corte de gastos tributários. “É uma agenda que merece ser debatida e o Congresso tem mostrado abertura pra essa agenda. Esperamos abrir esse debate, que é uma agenda de país”, disse.

Ao Valor, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que espera que o corte de renúncias renda R$ 15 bilhões aos cofres públicos em 2026.

Inflação

Na entrevista, Ceron também afirmou que a inflação está caindo, criando condições para uma “flexibilização da política monetária”.

A Selic está, atualmente, em 15% ao ano, percentual considerado excessivamente contracionista por membros da equipe econômica. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), contudo, sinalizou que a política monetária permanecerá em patamar contracionista por período bastante prologado.

Já Ceron demonstrou otimismo, dizendo que o ciclo de queda da Selic está próximo. “Nós estamos crescendo e a inflação está começando a cair novamente, convergindo para as bandas da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Logo, daqui a pouco criando condições para uma flexibilização da política monetária que impacta fortemente o custo da dívida e a trajetória da dívida”, disse o chefe do Tesouro Nacional.

Ele explicou que o nível alto da Selic tem impactado muito o custo da dívida pública. “Nossa estrutura da dívida é de curto prazo, muito vinculada à política monetária, à taxa Selic, isso acaba tendo uma pressão muito grande quando a política monetária precisa ser um pouco mais restritiva.”

Durante a entrevista, Ceron afirmou que a equipe econômica vai buscar as metas fiscais estabelecidas, mesmo diante dos desafios postos. “Nós somos comprometidos com o atingimento dessas metas fiscais. Ninguém pode nos acusar de omissão ou de não trabalhar para atingi-las”, disse.

Ele pontuou que, uma vez alcançada a trajetória de primário desenhada pela equipe econômica, será possível estabilizar a dívida pública em 2028 e 2029, com posterior queda.

“Precisamos consolidar esses avanços econômicos e cuidar do fiscal para que isso [o fiscal] deixe de ser uma fonte tão grande de preocupação”, frisou Ceron.