Por Paula Martini e Victoria Netto
O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, afirmou nesta quinta-feira que o principal problema da mobilidade urbana no Brasil é a falta de projetos. Segundo Barbalho Filho, a disponibilização de recursos não basta para desenvolver o setor.
“Você tem que ter dinheiro, ajudar tecnicamente e ‘pegar na mão’ das prefeituras e governos do Estado para que os projetos se materializem. Se nós tivermos bons projetos, teremos boas soluções”, afirmou no evento “Caminhos do Brasil”, realizado por Valor, jornal “O Globo” e rádio CBN no auditório da Editora Globo, no Rio.
De acordo com o ministro, o governo federal vai investir, em quatro anos, cerca de R$ 42 bilhões em mobilidade, entre financiamento público e recursos do orçamento geral da União. “É um investimento bastante robusto”, declarou.
O superintendente da área de infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES), Felipe Borim, concorda com a avaliação de que faltam projetos qualificados. “Busca-se onde alocar recursos, e de fato não se encontra projetos. Mobilidade urbana é um setor que ficou para trás” disse.
Segundo Borim, o BNDES participa da discussão não só por meio do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, mas também como um “ator estratégico fundamental” para enfrentar o desafio de mobilidade. “Primeiro, temos habilidade técnica para estruturar projetos, mas temos principalmente os instrumentos para mobilizar as fontes de recursos.”
O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, feito pelo banco de fomento em parceria com o ministério das Cidades, mapeou o potencial de ampliação das redes de transporte público em 21 regiões metropolitanas do país. O material aponta que as regiões têm capacidade de ampliar em cerca de 2.500 quilômetros as redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade até 2054.
A diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Clarisse Cunha Linke, reforçou a importância dos projetos que contemplem a necessidade de adaptação das cidades às mudanças do clima. Para ela, os projetos precisam considerar não apenas “cimento para o ônibus passar”, mas também infraestruturas verdes.
“Acho que é inequívoco que todos nós queremos cidades sustentáveis. Agora, como a gente desenha esses projetos é algo fundamental e pode nos ajudar a reposicionar esses projetos para financiamento”, declarou.