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Defesa Civil
Governo vai ampliar monitoramento de cidades sob risco climático
Outra proposta é a estruturação de um fundo para financiar projetos de prevenção a desastres em municípios de pequeno e médio porte
11/11/2025
Diário do Comércio da ACSP

O governo brasileiro vai ampliar a cobertura do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Até 2026, o centro, que hoje monitora 1.133 municípios, passará a monitorar 1.942 cidades – com isso, a cobertura chegará a 70% da população brasileira.

O Brasil tem sido vítima de sucessivos desastres ambientais. Nos últimos anos, o país viu catástrofes como as chuvas no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia. Mais recentemente, na semana passada, três tornados atingiram o Paraná e deixaram seis pessoas mortas.

A adaptação climática é uma das prioridades do governo brasileiro na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30). “O convênio vai na direção de levar o que temos disponível de tecnologia para as cidades”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Informações georreferenciadas – O Cemaden é o principal órgão de monitoramento de desastres do Brasil e já viveu sucessivas crises de falta de financiamento e escassez de mão de obra. Além da ampliação do Cemaden, o governo trabalha para disponibilizar os dados que hoje já existem a Estados e municípios. A ideia é que os entes usem essas informações para desenvolver políticas de adaptação à mudança do clima.

Uma proposta é criar um Sistema Nacional de Informações Georreferenciadas para fornecer os dados de forma compartilhada. Atualmente, o modelo existe apenas em três regiões metropolitanas: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Teresina (PI). Agora, o formato será expandido para todo o país.

“Vamos colocar o Cemaden, que tem estações geológicas e hidrológicas, que medem tanto a parte dos alagamentos, como também o deslizamento de barreiras, nós vamos fazer um acerto para que possa dispor dessas estações geológicas, hidrológicas, radar meteorológico, dados”, afirma a ministra Luciana Santos.

Fundo de prevenção a desastres – Outra proposta que será apresentada pelo governo é a estruturação de um fundo para financiar projetos de prevenção a desastres em municípios de pequeno e médio porte, que tornem as cidades mais resilientes à mudança do clima.

O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que haverá um aporte inicial de R$ 100 milhões. A ideia é mobilizar atores do setor privado para que possam contribuir. O ministro se reuniu com representantes da União Europeia para pedir apoio à iniciativa em favor das cidades brasileiras.

O governo ainda não tem clareza sobre o funcionamento do mecanismo, que pode inclusive ser incorporado ao “Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Fierce)”.

“O que a gente tem percebido é que os projetos, quando chegam para nós, não são projetos consistentes. A gente precisa financiar isso. Mas não adianta só arrumar o financiamento, tem que também ajudar na montagem desses projetos”, disse Jader Filho.

Inovação agrícola – Nesta segunda-feira, 10, um pacote de inovação agrícola também foi anunciado com recursos bilionários do setor privado para impulsionar adaptação à mudança do clima. A definição da meta global de Adaptação é um dos itens de agenda da COP-30.

A expectativa é de que os países concordem em estabelecer indicadores para mensurar a adaptação em todo o mundo. No momento, cerca de cem indicadores, que passam por áreas como saúde, educação, entre outras, estão sobre a mesa dos negociadores.

Assim como em outras áreas de negociação, o tópico mais sensível é a definição do financiamento para colocar em prática as medidas de adaptação. O governo brasileiro acompanha o tema com atenção sobretudo devido aos últimos desastres no país.

Lula critica gastos com guerra

No discurso de abertura da COP-30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou recados aos países que estão em guerra e pediu mais investimentos no clima. “Parabéns delegados e delegadas. Parabéns por darem a todos nós essa lição de civilidade, de grandeza humana, provando que se os homens que fazem guerra estivessem aqui nessa COP, iam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com o problema climático do que colocar US$ 2,7 trilhões para fazer guerra, como fizeram ano passado”, disse.

Lula criticou ainda líderes que adotam uma postura de desacreditar o aquecimento global. “É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, disse.

O presidente citou tragédias climáticas recentes para falar sobre a necessidade de avançar nas ações para responder a esses eventos. Lula mencionou o tornado que atingiu o Paraná e deixou 6 mortos. “A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe, e o tornado que atingiu o estado do Paraná no sul do Brasil, deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição.”

Soluções reais

O presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, afirmou que a cúpula precisa apresentar soluções. No discurso de abertura da COP, o embaixador destacou que o evento será um marco para “ouvir e acreditar” na ciência, em relação aos efeitos sociais e econômicos das mudanças climáticas.

Corrêa do Lago repetiu que, após anos de negociações, é o momento de focar na implementação de acordos multilateralmente estabelecidos sobre o clima. O governo busca emplacar motes como “COP da implementação” ou “COP da verdade”.

A confirmação dessas duas classificações ainda depende do resultado da Conferência em Belém. Corrêa do Lago afirmou ser importante que o mundo veja união de instâncias sobre a agenda do clima no Brasil e avaliou que, apesar de retrocessos recentes, as condições de vida no mundo “podem continuar a melhorar”.