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Economia
61% dos empreendedores buscam empréstimos como pessoa física
Pesquisa do Sebrae aponta que porte do empreendimento e o nível de escolaridade do empresário são fatores que influenciam na hora de solicitar crédito aos bancos
30/12/2022
Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

A maioria dos micro e pequenos empresários, e dos microempreendedores individuais (MEI), recorre a empréstimos bancários como pessoa física, e não como jurídica. Pesquisa realizada pelo Sebrae mostra que essa foi a realidade de 61% dos empreendedores que recorreram a financiamentos ou empréstimos nos últimos cinco anos.

Esse percentual representa um recorde na série histórica da pesquisa, iniciada em 2013. Para Carlos Melles, presidente do Sebrae, essa situação ocorre por causa do crescimento do número de MEIs e da redução das fontes de financiamento.

“Entre 2020 e 2022 foram criados 5,2 milhões de novos microempreendedores individuais, que representa o perfil do dono de pequeno negócio que mais recorre aos empréstimos pessoais para financiar a empresa”, diz Melles.

De acordo com o levantamento, 73% dos MEIs buscaram crédito por meio da pessoa física nos últimos cinco anos.

O presidente do Sebrae lembra ainda que o fator escolaridade também afeta esse cenário. “Quanto maior o nível de escolaridade, maiores são as chances de o empreendedor usar os caminhos convencionais para buscar crédito para a empresa. Entre os donos de pequenos negócios com pós-graduação, por exemplo, cerca de 63% usam a pessoa jurídica para recorrer aos bancos. Já entre os empreendedores com nível fundamental, apenas 32% adotam o mesmo caminho”, diz.

Melles lembra que separar as contas entre pessoais e da empresa é uma das primeiras recomendações que o Sebrae faz para qualquer pessoa que planeja abrir o próprio negócio.

“Confundir a gestão da empresa e da pessoa física é um dos maiores erros que os empresários podem cometer. Isso torna o controle do orçamento da empresa praticamente impossível e pode comprometer seriamente a saúde financeira do negócio. Sem boa gestão, não há crescimento, solidez, aumento de receita, lucro e tudo o mais que se busca ao começar um negócio”, comenta.

ACESSO AO CRÉDITO

O levantamento do Sebrae mostra ainda que, entre 2020 e 2022, cresceu a proporção de empresários que encontraram dificuldades para obter um novo crédito ou financiamento. A proporção saltou de 63% para 84% (recorde histórico da série).

A falta de garantias reais (20%), a taxa de juros muito alta (17%) e a falta de avalista/fiador (11%), foram as dificuldades mais citadas pelos donos de pequenos negócios que buscaram empréstimo ou financiamento bancário.