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Ajuste fiscal ‘robusto’ será preciso pós-2026, diz Tebet
Medidas não vão tirar ‘direitos de ninguém’, já que há ‘muita gordura para cortar’, defende ministra do Planejamento
26/03/2025
Valor Econômico

Por Estevão Taiar

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou ontem que “o Brasil está dando certo”. Mas defendeu a importância da queda da inflação e da realização de ajustes fiscais “robustos” no futuro.
“O Brasil está dando certo. Fala alguém aqui que não é do PT, que é da frente ampla, que é de centro”, disse em entrevista ao programa “Bom Dia , Ministra”, transmitido pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).
Entre os avanços, ela citou: saída do Mapa da Fome, crescimento do emprego e da massa salarial, aprovação da reforma tributária sobre consumo e desempenho da balança comercial e da safra agrícola.
Tebet afirmou que “não esperava números tão positivos em tão pouco tempo” e que não lembra, nos últimos 25 anos, “de um momento em que todos os números da macroeconomia caminhavam tão bem”.
Mas reconheceu que “o mercado está caro” e que “a inflação está alta”.
“Não podemos aceitar, temos que mirar o centro da meta de inflação”, disse. Embora tenha afirmado que “não vamos conseguir alcançar” no curto prazo o centro da meta, que é 3%, disse que a equipe econômica do governo federal vem trabalhando nessa direção. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 5,06% no acumulado de 12 meses até fevereiro.
Apesar da inflação pressionada, Tebet afirmou acreditar “que no segundo semestre poderemos começar a ter uma queda, ainda que mínima”, da Selic. “Não na próxima [reunião do Comitê de Política Monetária], mas nas seguintes”, disse. A taxa básica de juros está em 14,25% ao ano e analistas esperam que ela feche o ano em 15% – ela só recuaria no início de 2026.
A ministra ainda disse que será necessário “fazer ajustes fiscais mais robustos no futuro”, principalmente para o “pós-eleição de 2026”. Apesar de robustos, eles poderão ser realizados “sem tirar direitos de ninguém”, já que “tem muita gordura para cortar”. Ela destacou, por exemplo, que os gastos tributários do governo federal estão na casa dos R$ 500 bilhões.
“[Depois das eleições] vamos ter que sentar à mesa, enfrentar essas questões e colocar dinheiro nos cofres públicos, para fazer políticas necessárias, ou rediscutir os parâmetros do arcabouço [fiscal]”, disse, lembrando que “a partir de 2027 precisaremos colocar algo em torno de R$ 50 bilhões dentro do Orçamento” referentes a precatórios. Precatórios são dívidas do Poder Público reconhecidas pela Justiça.