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Aprovação da isenção do IR: quem ganha e quem perde?
Se aumentar imposto de alguns profissionais qualificados e denominados de “mais ricos”, os R$ 5 mil não estão fazendo favor algum; estão fazendo caridade com o chapéu alheio.
23/10/2025
Diário do Comércio da ACSP

Roberto Mateus Ordine

Advogado e presidente da ACSP

Um dos assuntos que mais têm gerado discussões nos últimos dias é a aprovação da isenção do IR, projeto aprovado por unanimidade pela Câmara dos Deputados, mas que ainda deve passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.

Mesmo não estando em vigor, a pauta é acalorada e divide opiniões. Afinal, quem ganha e quem perde com essa isenção? O brasileiro, sem dúvidas!

Já comentei em outras publicações que essa medida é um retrocesso fiscal para o Brasil. Para isentar uma parte da população, com rendimentos, outra parcela de trabalhadores mais qualificados, acabam sendo chamados de “mais ricos”.

Vale lembrar que a questão dos R$ 5 mil dado hoje como uma benesse para os trabalhadores não passa de uma simples correção da tabela se fossem incorporadas todas as perdas inflacionárias. Por que se hoje fosse analisar uma correção sem ser manipulada, ela já teria chegado a esse valor de R$ 5 mil há muito tempo.

Especialistas dizem que, aproximadamente, 15 milhões de pessoas serão beneficiadas com essa medida. Ou seja, para que uma parcela da população seja isenta, outra passará a arcar com esse tributo para compensar a arrecadação. Segundo estimativas do Governo Federal, essa isenção deve injetar R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos já em 2026.

Outro fator que está gerando insatisfação é a tributação sobre lucros e dividendos, que, até então, são isentos de IR. O que estamos vendo é uma forma de impedir a prosperidade financeira das pessoas e o crescimento da economia. Afinal, a aprovação da isenção visa interesses próprios do governo e impede que novos investidores entrem no mercado, principalmente aqueles que estão começando a investir.

Se aumentar imposto de alguns profissionais qualificados denominados de “mais ricos”, os R$ 5 mil não estão fazendo favor algum, estão fazendo caridade com o chapéu alheio. É um direito do trabalhador se a tabela de correção do Imposto de Renda fosse respeitada. Por outro lado, aquilo que se está qualificando como “muitos ricos”, na verdade não passam de profissionais
qualificados que, por meio de estudos, se profissionalizaram e chegaram a um bom cargo. Essas pessoas denominadas “ricos”  são pessoas que tiveram meritocracia e salários pelo seu valor profissional.

No início deste ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, citou que essas mudanças no Imposto de Renda seriam uma questão de “neutralidade fiscal e justiça social”. Na prática, sabemos não ser verdade. Mas enfim, estamos nas mãos do Governo Federal e, a essa altura, prestes a ser sancionado pelo presidente Lula, nos resta esperar os resultados dessa falta de gestão e planejamento fiscal que, a meu ver, não trará bons frutos.

Mas, de antemão, já é previsto que a saída de domicílio fiscal no Brasil só tende a aumentar. Para quem fica, e certamente não são os mais favorecidos economicamente, resta assistir ao espetáculo do declínio econômico e fiscal do país, que, consequentemente, atingirá os menos favorecidos.