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BC projeta inflação acima do teto da meta até o 3º trimestre de 2025 em cenário de referência
"As projeções de inflação subiram em todo o horizonte apresentado, aumentando assim o distanciamento em relação à meta e tornando a convergência para a meta mais desafiadora”, destacou a autoridade
20/12/2024
Valor Econômico

Por Estevão Taiar e Gabriel Shinohara

O Banco Central (BC) afirmou nesta quinta-feira que as suas projeções de inflação estão “acima do limite do intervalo de tolerância até o terceiro trimestre de 2025”, quando estará em 5,1%, “entrando depois em trajetória de declínio, mas ainda permanecendo acima da meta”
A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. As informações foram divulgadas pela autoridade monetária no Relatório de Inflação (RI).
No documento, o BC destaca que, desde o RI anterior, divulgado em setembro, “as projeções de inflação subiram em todo o horizonte apresentado, aumentando assim o distanciamento em relação à meta e tornando a convergência para a meta mais desafiadora”.
Já a “significativa elevação na expectativa da taxa de juros” do setor privado, como mostra o Boletim Focus, “reflete a piora do quadro inflacionário ocorrida nos últimos meses, com o aumento das expectativas de inflação e dos seus riscos de alta, a atividade econômica mais robusta que o esperado e a elevação da taxa de juros real neutra avaliada avaliada pelos analistas”.
Outra mudança em relação a setembro foi que as condições financeiras da economia “ficaram bem mais restritivas”.
No curto prazo, até março, o BC calcula que “o repasse da depreciação cambial também deve resultar em preços de bens industriais com variações elevadas, em contexto de demanda doméstica ainda resiliente”. Também até março, a estimativa para a inflação de serviços “é de variações em patamar elevado, em contexto de mercado de trabalho aquecido e efeito maior de inércia”. No caso da política fiscal, o cenário do BC para prazos mais longos supõe “que os resultados melhoram ao longo do tempo”.
“Para as projeções, a variável considerada é o resultado primário do governo central corrigido por outliers e ajustado pelo ciclo econômico, no acumulado em 12 meses”, diz. “Supõe-se que essa variável, depois de ter terminado 2023 com déficit significativo, em parte decorrente da incorporação do pagamento do estoque atrasado de precatórios, se recupera parcialmente ao longo do tempo.”
Perspectiva para IPCA
O BC afirmou que, “excetuada a oscilação entre janeiro e fevereiro, a inflação acumulada em doze meses deve permanecer acima do limite superior do intervalo de tolerância nos próximos meses, em meio a taxas mensais mais elevadas”.
No acumulado de 12 meses, o BC projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,89% até dezembro, 4,37% até janeiro, 4,72% até fevereiro e 5% até março. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.