Por Alessandra Saraiva
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) caiu 1,1% em janeiro, para 109 pontos, informou, nesta terça-feira (28), a organização. Na comparação com janeiro de 2024, o recuo foi de 0,1%, no primeiro mês do ano.
No entendimento da CNC, o desempenho sinaliza moderação do otimismo dos comerciantes, no início do ano. O varejista encontra-se “ impactado”, na análise da confederação, pelos desafios econômicos de 2025, bem como pela necessidade de gastos maiores, característicos desse período.
São os casos dos pagamentos de impostos, por exemplo de IPTU e IPVA, sempre no começo de cada ano, bem como da alta em custos escolares, como compra de material para alunos no começo de ano letivo, e reajustes em mensalidades.
A maior cautela do empresário do setor, no começo do ano, parece ter sido espalhada, em janeiro. A maioria dos três tópicos usados para cálculo do Icec mostrou recuo não somente ante dezembro de 2024, como também em relação a igual mês de ano anterior.
Na comparação com dezembro do ano passado, é o caso dos recuos registrados em condições atuais (-1,7%); e em expectativas (-1,7%). Em contrapartida, houve alta de 0,2% em intenções de investimentos. Esses mesmos tópicos mostraram recuos, ante dezembro do ano passado, de -1,2%, de -1,2% e aumento de 2,4%, respectivamente, na comparação com janeiro de 2024, detalhou a CNC.
“O cenário é de cautela para o comércio, o que nos alerta para a necessidade de redobrarmos esforços em prol da retomada econômica, especialmente em um momento de maior pressão sobre os custos”, alertou, em comunicado sobre o indicador, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
“Por outro lado, é animador ver que os investimentos continuam avançando, o que demonstra o comprometimento dos varejistas com a superação dos desafios”, completou o executivo.
Um aspecto que não pode ser esquecido, ainda, é o atual nível de juros, lembrou o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares. “Juros altos, impostos elevados, gasto público descontrolado e o dólar em patamares na sua alta histórica colocam a preocupação do empresário em patamares muito elevados”, completou ele.
Para Tavares, o momento exige dos comerciantes “estratégias assertivas, como promoções, flexibilização de prazos e maior controle dos estoques”.