De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros têm Alzheimer, e a previsão é que essa população triplique até 2050. Os especialistas alertaram que o Brasil não está preparado para lidar com o rápido envelhecimento da população.
“O envelhecimento aqui é extremamente acelerado. A transição de um país jovem para um país idoso foi rápida. Não houve muito tempo de adaptação”, afirmou o médico e professor da Unifesp Paulo Bertolluci, ressaltando a necessidade de diagnóstico precoce para melhorar a efetividade do tratamento.
A distribuição dos tipos de demência no Brasil apresenta diferenças significativas em comparação com outros países, especialmente os Estados Unidos. Segundo Bertolluci, enquanto na costa leste americana cerca de 70% dos casos de demência são de Alzheimer, no Brasil esse número cai para aproximadamente 50%.
Bertolluci explica que essa diferença não está relacionada apenas a fatores genéticos, mas principalmente à saúde pública e ao diagnóstico precoce. “A demência vascular contribui mais aqui do que em Boston. E aí você vê uma coisa que é uma tristeza: a demência vascular é prevenível”, afirmou o especialista.
O neurologista ressaltou que essa maior incidência de demência vascular no Brasil está diretamente ligada à qualidade dos cuidados na atenção primária à saúde. Além disso, destacou a importância da população fazer sua parte no tratamento adequado de condições como hipertensão e diabetes, fatores de risco para esse tipo de demência.