Por Marcelo Osakabe
O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve a estimativa do crescimento potencial do Brasil de 2,3% este ano e recomendou avanço no esforço para tornar a trajetória da dívida pública declinante, em um ambiente em que o balanço de riscos é negativo em meio à maior incerteza global.
As recomendações constam do relatório anual sobre a economia do país, a consulta do Artigo IV de 2025. Nele, o órgão avalia que o crescimento de 3,4% observado em 2024 deve desacelerar ao longo deste ano para 2,3%, e para 2,1% em 2026, refletindo a política monetária mais apertada. Por outro lado, ele manteve a perspectiva de que o crescimento da economia deve convergir para 2,5% ao ano no longo prazo, ajudada por reformas que impulsionam a produtividade, como a tributária, e também pelo salto da produção de petróleo.
A previsão de crescimento de 2,3% em 2025 é melhor do que a do relatório de Perspectiva Econômica Global (World Economic Outlook) de abril, quando a projeção era de alta de 2%. Em junho, porém, uma equipe do Fundo viajou ao Brasil e adiantou que a estimativa seria elevada para 2,3%. O novo percentual foi confirmado na publicação do relatório hoje.
Já a estimativa para a dívida bruta como proporção do PIB é que ela atinja 91,6% este ano e que continue avançando até atingir um pico de 99% em 2029, antes de cair a 98,9% em 2030, último ano para o qual se tem projeções. São números ligeiramente melhores do que os divulgados em abril, no World Economic Outlook, quando se projetava que a dívida bateria 92% este ano e 99,4% em 2029 e se estabilizaria no mesmo patamar no ano seguinte.
O Fundo adota um critério diferente do usado pelo Banco Central (BC) brasileiro para o cálculo da dívida bruta. Na contabilidade do primeiro, entram na conta os títulos do Tesouro na carteira do BC, enquanto a metodologia da autoridade monetária brasileira os exclui. Pelo critério brasileiro, o endividamento bruto chega a 80,9% do PIB este ano e 87,8% em 2030.
O FMI também manteve projeção de que a inflação deve chegar a 5,3% este ano e que o aperto monetário conduzido pelo BC leve o índice de preços ao centro da meta, de 3%, perto do final de 2027.
Em relação aos risco para a atividade, o relatório cita a elevada incerteza global, ainda que o consumo das famílias e o mercado de trabalho apertado possam dar um impulso adicional no curto prazo. “No médio prazo, riscos altistas vêm da possibilidade de implementação mais rápida de reformas que melhoram a produtividade e do Plano de Transformação Ecológica. Já os riscos baixistas são um menor crescimento global em meio a tensões comerciais elevadas. No front doméstico, esse risco aparece sob a forma de uma queda maior da atividade por causa do aperto monetário e do menor esforço fiscal, que pode elevar a incerteza doméstica e piorar os fundamentos do crédito”, afirma o FMI.