Quase nove milhões de pessoas demoram mais de uma hora para chegar no trabalho no país. A informação consta da pesquisa Censo 2022: Deslocamentos para trabalho e estudo, um recorte sobre o tema feito a partir dos dados de Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (9).
No estudo, os pesquisadores do IBGE mapearam o tempo habitual gasto no trajeto do domicílio ao trabalho. O contingente contemplado englobou pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência da pesquisa, que trabalhavam fora do domicílio.
“Saber esse tipo de informação é fundamental para política pública”, ponderou o geógrafo do instituto, Mauro Sérgio Pinheiro. Os técnicos do instituto informaram que o maior contingente de trabalhadores — 40,084 milhões — demoravam de seis minutos até meia hora para chegar ao trabalho, o que representou 56,8% do total de pessoas ocupadas no mercado de trabalho naquele ano.
Os resultados também apontaram que 7,399 milhões informaram tempo de mais de uma hora até duas horas para chegar ao trabalho, ou 10,5% do total de ocupados. E, ao mesmo tempo, 1,259 milhão informaram que demoram mais de duas horas para chegar ao trabalho, ou 1,8% do total de pessoas ocupadas no mercado de trabalho, naquele ano.
Ao analisar esses dados por gênero, os técnicos do instituto descobriram que as mulheres apresentaram a maior proporção nos deslocamentos de até meia hora. Na categoria de seis minutos até meia hora, se enquadravam 57% das mulheres ocupadas, contra 56,7% entre homens ocupados no mercado de trabalho. Já os homens têm as maiores fatias nas faixas entre mais de meia hora até uma hora e na de mais de duas horas. Na faixa de mais de meia hora até uma hora, se enquadravam 19,7% das mulheres ocupadas, contra 21,2% de homens ocupados, e na de mais de duas horas, 1,3% de mulheres ocupadas e 2,1% de homens ocupados no mercado de trabalho, naquele ano.
Trabalho no município de residência
O IBGE informou ainda que a maior parte da população ocupada, em 2022, exercia atividade em próprio município de residência, um total de 76,6 milhões de pessoas (88,4% do total de pessoas ocupadas). Desse total, 61,9 milhões de pessoas (71,4% dos ocupados) trabalhavam fora do domicílio; 14,7 milhões de pessoas (16,9%) trabalhavam em casa ou na propriedade.
Ao comparar com Censo anterior, de 2010, os técnicos do instituto informaram que houve um acréscimo na fatia de pessoas que trabalhavam fora de casa. Entre 2010 e 2022, essa proporção subiu de 64,8% para 71,4% do total de pessoas ocupadas que exerciam atividade no município em que residiam. Em contrapartida, diminuiu de 21,9% para 16,9% a fatia dos que trabalhavam em casa.
O IBGE também investigou quantidade de pessoas que iam para outra cidade trabalhar. Segundo os técnicos do IBGE, o deslocamento realizado para trabalhar em outro município mostrou-se expressivo, totalizando 9,3 milhões de pessoas, ou 10,7% do pessoal ocupado no mercado de trabalho. Nesse contingente, 7,9 milhões foi o número de indivíduos que retornam do trabalho para casa três dias ou mais na semana, demonstrando um significativo fluxo pendular entre os municípios brasileiros.
Somente no Estado de São Paulo, informaram ainda os pesquisadores do IBGE, 2,8 milhões pessoas se deslocaram para outro município para trabalhar, naquele ano.