O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,48% em setembro, após recuo de 0,11% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa ficou pouco acima de setembro de 2024 (0,44%) e é a maior para o mês desde 2021 (1,16%).
A mediana das projeções de 34 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, foi de alta de 0,52%. O intervalo das projeções ia de elevação de 0,44% a 0,58%. Em 2025, até setembro, o IPCA subiu 3,64%.
No acumulado dos 12 meses até setembro, o IPCA teve alta de 5,17%. No resultado até agosto, o índice acumulou aumento de 5,13%. A expectativa do mercado era de 5,21%, segundo o Valor Data, com intervalo das estimativas entre 5,13% e 5,30%.
O resultado de setembro ficou acima do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Pelos novos parâmetros, da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas.
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
Grupos
Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, mudaram de direção entre agosto e setembro habitação (de -0,90% para 2,97%) e transportes (de -0,27% para 0,01%). Alimentação e bebidas diminuíram o ritmo de queda (de -0,46% para -0,26%) enquanto despesas pessoais subiram mais (de 0,40% para 0,51%).
Por outro lado, artigos de residência recuaram mais (de -0,09% para -0,40%), assim como comunicação (de -0,09% para -0,17%). Vestuário desacelerou a alta (de 0,72% para 0,63%); mesmo comportamento visto em saúde e cuidados pessoais (de 0,54% para 0,17%) e educação (de 0,75% para 0,07%).
Difusão
A inflação se espalhou menos pelos itens que compõem o IPCA em setembro. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 56,8% em agosto para 52,3% em setembro, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.
Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador saiu de 64,6% para 55,5%.