Para empresas com equipes enxutas e recursos limitados, entender antecipadamente os efeitos da Reforma é um desafio. Além de adaptar sistemas e processos, será necessário avaliar como as novas regras podem influenciar os custos, a formação de preços, a rentabilidade e a disponibilidade de recursos para manter a operação.
“O primeiro passo é entender que a Reforma Tributária não é uma questão exclusivamente fiscal. Ela terá reflexos financeiros e operacionais e precisa ser analisada de forma integrada”, explica Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB, empresa brasileira de auditoria, consultoria, governança e finanças corporativas — e que também conta com uma escola de negócios voltada à atualização de profissionais e gestores em temas tributários.
Para o especialista, esse conhecimento não deve ficar restrito à contabilidade ou ao departamento fiscal. As mudanças também precisam entrar no radar das áreas responsáveis por decisões comerciais, financeiras, jurídicas e tecnológicas.
“Não adianta concentrar todo o conhecimento sobre a Reforma no contador. O financeiro precisa entender os reflexos no caixa, o comercial deve avaliar a formação de preços e o jurídico precisa olhar para os contratos. A informação tributária vai influenciar decisões de diferentes áreas”, afirma Barbeti.
O primeiro passo é fazer um diagnóstico da operação para identificar quais áreas podem ser mais afetadas pelas novas regras. Entre os pontos que merecem atenção estão os preços praticados, as margens de lucro, os contratos de longo prazo, a estrutura de custos, os créditos tributários e os sistemas utilizados para emissão de notas fiscais e controle financeiro.
O planejamento do fluxo de caixa também merece destaque. Com a implementação do split payment, mecanismo que permite separar e recolher o IBS e a CBS diretamente no momento de algum pagamento, parte do valor da venda poderá ser direcionada ao Fisco antes mesmo de chegar à conta da empresa.
“Uma alteração aparentemente pequena na margem pode ter um efeito significativo no resultado de uma pequena ou média empresa. O empresário não precisa esperar todas as etapas da transição para começar a agir. O mais importante agora é entender onde a Reforma pode mexer com o custo, a rentabilidade e o caixa do negócio”, conclui Barbeti.