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Mudança em PEC do fim da reeleição desagrada Alcolumbre e pode travar avanço do texto no Senado
Líderes ouvidos pelo Valor afirmam que redução do mandato dos senadores de oito para cinco anos não tem chances de passar no plenário
27/05/2025
Valor Econômico

Por Caetano Tonet, Murillo Camarotto e Gabriela Guido

 

Aprovada sem grande resistência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na última quarta-feira (21), a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da reeleição e coincidência das eleições gerais e municipais no país não deve ter a mesma vida fácil no plenário da Casa.

O principal impasse está na mudança feita em seu último parecer pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), que reduz o mandado dos senadores para cinco anos. Incialmente, a ideia era aumentar o período para dez anos.

Segundo o Valor apurou, a alteração desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e isso pode acabar atrapalhando o andamento da matéria na Casa. Nos bastidores, Alcolumbre é favorável ao fim da reeleição para cargos no Executivo e a coincidência dos pleitos, mas não gostou da mudança que reduz os mandatos dos senadores.

Questionado sobre o texto ter passado com o mandato de cinco anos após a sessão desta quarta-feira (21), Alcolumbre ironizou. “Vocês vão ver no meu voto”, disse o presidente do Senado.

Antes disso, durante a sessão, ao responder um questionamento do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), autor da proposta, Alcolumbre reforçou a postura favorável ao fim da reeleição e a coincidência dos pleitos, mas disse que iria avaliar com os líderes a viabilidade de pautar o tema na próxima semana.

“A votação no dia de hoje reflete o desejo do Senado de dar um novo rumo ao processo eleitoral, no que diz respeito às eleições majoritárias no Brasil e, logicamente, a coincidência das eleições. Acho que será, com certeza absoluta, a mais profunda mudança no arcabouço eleitoral do Brasil, nos últimos anos”, disse.

“Eu confesso que tenho todo o desejo e interesse de que, na semana que vem, essa proposta esteja em deliberação no Plenário do Senado Federal. Eu quero ouvir os Líderes partidários e eu tenho certeza absoluta de que a maioria vai apoiar essa decisão”, acrescentou Alcolumbre.

‘Menor possibilidade de passar’

De acordo com líderes, ouvidos sob sigilo pelo Valor, a versão final do texto não agradou a cúpula do Senado.

“Você acha que isso [mandato de cinco anos para senador] vai passar aqui? Não tem a menor possibilidade”, declarou o líder de um dos maiores partidos da Casa.

Outro parlamentar ouvido após a sessão pontuou que igualar a duração de mandatos de senadores e deputados “não faz o menor sentido” e sugeriu, caso se mantenha os cinco anos para o Senado, que na Câmara seja reduzido para dois anos e meio, acabando assim com ideia de coincidência das eleições.

“Eu acho que assim [dois anos e meio] pode funcionar, até porque acho dez anos para o Senado muito. E também acho que o intervalo de cinco anos é muito tempo sem eleições”, declarou o senador.

O parlamentar, no entanto, não deu detalhes de como funcionaria as eleições a cada dois anos e meio e disse que é uma ideia que vem sendo estudada.

Câmara

Na Câmara, a aprovação na CCJ do Senado foi vista com cautela. Boa parte dos líderes partidários afirmou logo após o resultado que nem sequer estava acompanhando o tema e que só passaria a observar com maior atenção caso a matéria também recebesse o aval dos senadores no plenário. A expectativa majoritária, entretanto, é de que isso dificilmente irá acontecer.

Caso o projeto chegue à Câmara, a avaliação é de que teria muitas dificuldades para avançar. Os deputados demonstraram mais preocupação com reformas como a ampliação da janela eleitoral e do estabelecimento de regras mais claras para as candidaturas femininas. Já o fim da reeleição e a coincidência de pleitos, não empolgam.