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Padilha diz que 'enterrará' Tabela SUS para garantir atendimento especializado à população
Ao tomar posse no Ministério da Saúde, Padilha defende novo modelo de remuneração a Estados, municípios e Santas Casas
11/03/2025
Valor Econômico

Por Fabio Murakawa, Renan Truffi, Murillo Camarotto e Marcelo Ribeiro

Ao tomar posse nesta segunda-feira (10) como ministro da Saúde, Alexandre Padilha prometeu “enterrar” a Tabela SUS, em uma sinalização da disposição do governo federal de remunerar melhor os profissionais da área e, assim, garantir mais acesso à população.
“Teremos a coragem e a ousadia necessária para superar esse modelo da tabela SUS. Enterrá-lo de uma vez por todas e garantir acesso [da população a especialistas]”, afirmou. “Queremos um novo modelo de remuneração que sinalize aos Estados, municípios, Santas Casas que pagaremos mais e melhor pelo atendimento especializado no tempo correto.”
A Tabela SUS é a referência oficial de valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para procedimentos médicos, hospitalares, exames, cirurgias e outros serviços prestados por hospitais e clínicas conveniadas. Estabelecida pelo Ministério da Saúde, ela define o valor do reembolso por atendimento realizado na rede pública e contratada, sendo frequentemente criticada por valores defasados em relação aos custos reais dos procedimentos.
Padilha afirmou ainda que irá buscar apoio no setor privado para garantir o acesso da população a esses médicos. Mas advertiu que o problema não será sanado de maneira repentina.
“Chego ao Ministério da Saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado nesse país”, disse. “Não há solução mágica”, disse ele, ressaltando a grande fila de espera e “o descaso do governo anterior”.
O atraso no programa Mais Especialistas foi uma das razões que levaram à demissão de Nísia Trindade e sua substituição por Padilha, segundo fontes do governo. O programa deverá ser rebatizado por Padilha e o ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
O discurso do ministro seguiu à risca o que, em conversas privadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem lhe pedindo.
Ao informar Padilha que ele seria nomeado ministro da Saúde, Lula pediu a ele três prioridades: fazer funcionar o programa que ampliará a oferta de médicos especialistas à população; o combate à dengue, incluindo a aplicação no ano que vem de 60 milhões de doses da primeira vacina nacional contra a doença; e aumentar a cobertura vacinal de uma maneira geral.
Em diversos momentos, Padilha se referiu à vacinação e exaltou a presença do boneco Zé Gotinha, símbolo da cobertura vacinal no país.
“Se prepara Zé Gotinha, porque nós vamos andar muito este país para vacinar”, disse Padilha, no início de seu discurso.
Sobre a dengue, ele afirmou que “o mosquito não é do prefeito nem do governador nem do presidente da República”, mas “está dentro das casas”, demandando ações em todas as esferas e também de parte da população.