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Administração Municipal
Prefeitos turbinam guardas com fuzis, tropas de elite e poder de polícia
07/08/2025
UOL

Uma em quatro cidades brasileiras já tem guardas municipais para atuar na segurança pública.

Apontado como a principal preocupação dos cidadãos, o tema se tornou estratégico para prefeitos, que passaram a turbinar as corporações com fuzis, pistolas automáticas e grupos de elite.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 23,7% dos municípios do país (1.322) tinham suas próprias tropas de segurança em 2023, data da última Pesquisa de Informações Básicas Municipais.

O avanço das Guardas Municipais é o tema desta edição do podcast UOL Prime, apresentado por José Roberto de Toledo, com a participação da repórter Adriana Ferraz.

“Além do número de cidades, o que chama muito a atenção é o tamanho do efetivo. Já são mais de 101 mil guardas no país todo. É uma tropa imensa sob o comando de prefeitos e, muitas vezes, sem articulação com o governador”, diz Adriana.

Apesar do caráter civil, o modelo seguido pelos guardas é majoritariamente militar.

Em São Paulo, os uniformes, as viaturas, o armamento e até os nomes dos agrupamentos —como Iope (Inspetoria de Operações Especiais) e Romu (Ronda Ostensiva Municipal)— tornam difícil a distinção entre guardas e policiais nas ruas.

E esse mimetismo em relação à Polícia Militar não é à toa. Os guardas querem os direitos dos policiais, especialmente a aposentadoria especial e porte de armas nacional.

“A gente tem uma excrescência no Brasil, que é uma regra de aposentadoria diferente para militares. E agora, a Guarda Civil, que é civil, quer a mesma coisa?”, questiona Toledo.

De olho nos votos que viaturas com guardas armados nas ruas podem render, até mesmo cidades que ainda mantinham guardas com função patrimonial estão se rendendo a pistolas e fuzis.

“No Rio, você vê hoje guardas nas praias só com cassetetes. No Recife, a mesma coisa, mas os dois prefeitos, Eduardo Paes e João Campos, já disseram que vão armar suas guardas”, destaca Adriana.

Ambos devem disputar eleições para o governo no ano que vem.

Enquanto isso, estatísticas recentes mostram que o discurso político e o investimento financeiro nem sempre trazem mais segurança à população.

No primeiro trimestre deste ano, a capital registrou alta de 15,4% no número de estupros, de 11% no número de homicídios e de 4,6% nos casos de furtos na comparação com o mesmo período do ano passado.