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Taxa de fecundidade na América Latina caiu mais rápido que na Europa
08/06/2026
CNN Brasil

A transição demográfica na América Latina ocorreu de forma muito mais acelerada do que na Europa, segundo análise de Izabel Marri, gerente de Projeções e Estimativas Populacionais do IBGE. Enquanto os países europeus levaram entre 100 e 150 anos para reduzir suas taxas de fecundidade, a América Latina realizou esse processo entre apenas 40 e 50 anos. Nesse intervalo, a região saiu de uma média de seis filhos por mulher para cerca de dois ou dois e meio filhos. O fenômeno, denominado tecnicamente de transição da fecundidade, não se restringiu ao Brasil — ocorreu em praticamente todos os países do mundo, com diferentes intensidades e ritmos.

Entre os principais fatores que explicam essa queda, Izabel Marri destaca a maior exposição das mulheres ao mercado de trabalho, a urbanização das sociedades e o acesso a métodos contraceptivos. Segundo ela, decisões sobre ter ou não filhos são, ao mesmo tempo, comportamentais e culturais, mas também estão ligadas a questões estruturais, como a estabilidade das uniões conjugais. “As pessoas se casam, mas elas descasam muito também. Tem uma grande facilidade de separação dos casais atualmente”, afirmou. Ela ressaltou que a existência de um casal estável facilita a decisão de ter filhos, ainda que não seja um fator determinante.

Outro elemento relevante é o adiamento da maternidade. Os dados mostram que as mulheres têm postergado cada vez mais o início da vida reprodutiva, priorizando os estudos e a inserção no mercado de trabalho. Em alguns casos, esse adiamento resulta em mulheres que encerram o período reprodutivo sem ter tido filhos. “Não sabemos se essas mulheres terminam o período reprodutivo sem filhos porque não quiseram tê-los, ou se, por questões da vida, os filhos desejados não foram concretizados”, explicou.

Izabel Marri esclareceu que, embora tenha se referido principalmente ao Brasil, a transição da fecundidade é um fenômeno global. Atualmente, ainda existem países com taxas de fecundidade elevadas, sobretudo no continente africano, mas a tendência é de queda também nessas regiões. Os países europeus, por sua vez, passaram por esse processo de forma mais gradual, após a Revolução Industrial, tendo mais tempo para se adaptar às mudanças demográficas.