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Tebet diz que próximo presidente não conseguirá governar com atual arcabouço fiscal
Ministra do Planejamento e Orçamento vê "janela de oportunidade” em novembro e dezembro de 2026 para fazer um ajuste fiscal estrutural nas contas públicas
13/03/2025
Valor Econômico

Por Jéssica Sant’Ana

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (12) que haverá uma “janela de oportunidade” em novembro e dezembro de 2026 para fazer um ajuste fiscal estrutural nas contas públicas. Ela disse que o próximo presidente da República não conseguirá governar o país com o arcabouço fiscal que existe hoje.
“Chegou o momento em que em [20]27, seja quem for o próximo presidente da República, não governa com esse arcabouço fiscal, com essas regras fiscais, sem gerar inflação, dívida e detonar a economia”, disse Tebet em entrevista à GloboNews.
“Então, nós temos uma janela de oportunidade que não é agora, é em novembro e dezembro de 2026, seja o presidente Lula o candidato e reeleito, seja outro candidato eleito, de fazer o fiscal, cortar gastos, cortar o supérfluo, fazer uma política num arcabouço mais rigoroso, que não mate o paciente, obviamente”, completou a ministra.
Ela disse que será preciso ajustar a “dose” do ajuste fiscal, mas numa “dose” que permita garantir “sustentabilidade de dívida pública, baixar juros, baixar a inflação e fazer a economia crescer”. “Essa janela de oportunidade nós não podemos perder”, acrescentou.
A ministra reconheceu que a PEC de Transição, aprovada no fim de 2022, foi da “gastança” , para recomposição de gastos sociais. Essa proposta ampliou os gastos do governo em R$ 145 bilhões.
Ela também reclamou do Congresso Nacional, que diz não estar sendo um parceiro na agenda fiscalista. “Achávamos que teríamos um parceiro mais fiscalista no Congresso Nacional, e não foi. Não é o Congresso fiscalista que nós imaginávamos, então não adianta dar murro em ponto de faca”, criticou Tebet.
Ela reforçou que o governo vai cumprir a meta fiscal do ano, sem “inventar subsídios” e “resgatar fórmulas passadas que não deram certo”. “Vamos conseguir entregar o Orçamento cumprindo as regras fiscais”, frisou. A meta deste ano é também de um déficit zero.
Ainda durante a entrevista, a ministra defendeu que o governo tenha “a coragem de enfrentar temas espinhosos, mas que dialogam com a sociedade”. Entre eles, ela citou a pauta sobre o fim da jornada 6 por 1.
Tebet disse ser favorável à jornada 5 por 2, com um período de adaptação para as empresas e suporte aos pequenos negócios. “Isso [redução da jornada de trabalho] gera economia, gera produtividade, qualidade no trabalho. O próprio empresário vai ganhar com isso.”
Por fim, a ministra comentou que a isenção de imposto de importação de alguns alimentos deve começar a trazer resultados dentro dos próximos 30 dias, com redução dos preços desses produtos. Ela também disse que é uma medida que pode ter um “efeito moral” no mercado interno, fazendo com que os produtores passem a priorizar também o mercado nacional, e não somente as exportações.